Resenha - Senhora
- Sté Sales
- 28 de mai. de 2016
- 2 min de leitura

Senhora
Autor (a): José de Alencar
Editora: Companhia Editora Nacional
Gênero: Literatura Nacional/ Clássicos/ Romance/ Drama
Páginas: 216
Sinopse: Skoob
“Senhora” é um clássico da literatura brasileira, e esse título é mais que merecido, pois é fácil perceber como a trama de José de Alencar funciona como um reflexo tanto de uma sociedade cheia de valores perdidos quanto da redenção de uma paixão vítima das ambiciosas circunstâncias. Isso só demonstra as inúmeras faces em que o amor pode ser expresso de todo jeito possível, mesmo que seja uma maneira platônica, irônica, impassível ou até mesmo vingativa.
"{...} – É a minha felicidade que vou comprar".
É preciso compreender que como qualquer outro livro "Senhora" também tem suas falhas, isso inclui descrições extensas e desnecessárias sobre lugares, objetos, roupas, bem como, uma linguagem altamente culta que com certeza requer o uso de um dicionário do mesmo jeito que alguns leitores podem considerar essas características como resquícios de outra época literária.
"– A maior ventura que dá o dinheiro é possuí-lo; as outras são secundárias, disse o Lemos como entendido sobre na matéria".
O drama de Aurélia Camargo e Fernando Seixas é dividido em 4 partes: O Preço, A Quitação, Posse e Regaste. Todos esses capítulos narram desde o efêmero caso de amor dos pais de Aurélia quanto a origem da sua paixão por Seixas, e até mesmo a desgraça, e o possível final feliz dessa história. A forma como a trama gira em torno da vingança de Aurélia para Fernando que a abandonar por (causa do dote de) Adelaide.
"Quem não compreender a força desta razão, pergunte a si mesmo porque uns admiram as estrelas com os pés no chão, e outros levantados às grimpas curvam-se para apanhar as moedas no tapete".
O livro por ser completamente em 3° pessoa consegue narrar o ponto de vista de cada personagem permanecendo neutro dando assim a oportunidade do leitor escolher seus favoritos e os inimigos. Talvez o maior desleixo não tenha ocorrido no enredo, e sim na qualidade física dessa edição, já que as folhas são brancas e a fonte não é de um bom tamanho.
"Esse fenômeno devia ter uma razão psicológica, de cuja investigação nos abstemos; porque o coração, e ainda mais o da mulher que é toda ela, representa o caos do mundo moral. Ninguém sabe que maravilhas ou que monstros vão surgir desses limbos".
Os debates psicológicos que tomam linhas e mais linhas só nos fazem ter certeza que essa obra literária não é um romance besta. José de Alencar não consegue agradar a todos os gostos e tipos de vários leitores, entretanto é impossível negar seu dom de escrever enredos que conseguem lhe fazer sentir determinada situação na pele.
